sábado, 21 de novembro de 2009

Ele vem pra medir

Martin Luther King: "Eu Tenho Um Sonho"




"Se você não está pronto para morrer por alguma coisa, você não está pronto para viver".
(Martin Luter King Jr.)
BIRMINGHAM, Alá - Um manifestante feminino é preso e levado pela polícia, 1963.
© Bruce Davidson / Magnum Photos

Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King, um pastor negro americano, sonha com um mundo onde haja liberdade e justiça para todos. Ele é assassinado em 4 de abril de 1968. Sua memória é um vibrante símbolo da luta contra o racismo.Memphis, Tennessee, 3 de abril de 1968. O discurso de Martin Luther King na véspera do seu assassinato é uma mensagem de esperança aos seus irmãos negros, em um país dominado pelo racismo.

"Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma.

Martin Luther King, em Fevereiro de 1968, na Igreja Batista de Atlanta, Georgia, arrumando as meias da filha Bonnie King. Foto: Bento Fernandes

Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.


Alabama - escolta de soldados da Guarda Nacional liberdade pilotos em sua viagem de Montgomery a Jackson, Mississippi, 1961.
© Bruce Davidson / Magnum Photos

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.



Manifestação pelos direitos civis-1957. Foto Henri Cartier/Magnun Photos


Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.


Filha Bonnie King- Foto: Bento Fernandes

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!


BIRMINGHAM, Alá - Protesto de estudantes do ensino médio, são presos como parte da campanha de Martin Luther King para encher prisões e o fim da segregação racial na cidade, 1963.© Bob Adelman / Magnum Photos


Discurso 1957 Foto: Bob Henrique-MagnumPhotos

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal. "


Hinos na Prisão


Ensaio de João Tomaz Parreira



«E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam». Actos 16,25


Nesta narrativa interativa , porque designa apenas numa frase uma pluralidade de acontecimentos, sobretudo uma prática comum aos cristãos - o Louvor- , Lucas dá-nos algo mais que uma fórmula litúrgica, no que concerne aos hinos que os apóstolos entoavam. Estudiosos afirmam até que tais hinos não pertenciam aos salmos do Hallel. Assim, ocorre-nos perguntar que cânticos seriam?
No nosso trecho bíblico, o apóstolo Paulo assumiu como praxis pessoal, nos calabouços sombrios e húmidos de uma prisão macedónia, o que recomendava à Igreja de Éfeso, designadamente o uso de salmos e hinos e cânticos espirituais.
Alguns desses hinos estão no Novo Testamento, encaixados e preservados no Texto Sagrado, sendo que por vezes a linguagem da hinódia cristã tenda a ser difícil de interpretar.
Outros, porém, de uma clareza absoluta, pelo seu carácter de catequese, o que era para os cristãos do I Século imprescindível.


Os musicólogos dos vários períodos bíblicos, designaram assim a herança musical do Velho para o Novo Testamento: -a Era Bíblica, cerca de 2000 a.C até 100 d.C; - a Era do Cristianismo Primitivo, que foi do ano 100 até à Reforma.


Em qualquer dos casos, os cânticos espirituais tiveram influência no ensino bíblico, no modo de louvar e glorificar Deus, foram pedagógicos e não poucas vezes tiveram um valor psicológico como amparo da Fé no meio das perseguições ou tribulações dos crentes e da Igreja.

Depois dos Salmos e da sua incontornávl utilização litúrgica, a Igreja dos Actos dos Apóstolos terá usado o Magnificat, o chamado Cântico de Zacarias, o Nunc Dimitis de Simeão, porque representavam uma primeira hinódia conhecida, sem dúvida numa perspectiva do Velho Testamento, mas sempre apontando a Salvação levantada em Israel para a Humanidade.

Há quem mantenha a afirmação de que o Prólogo Joanino( «En arche en o logos...» ), na totalidade dos 18 versículos ou em parte, foi cântico espiritual na Igreja pelo seu conteúdo básico de teologia e cristologia. Era uma resposta inicial às grandes questões cristológicas que então o gnosticismo colocava.
«Os primeiros versos são obviamente um poema à maneira dos Estóicos»- refere
a Encyclopedia Americana. Diz esta ainda que «o Prólogo apresentou-se sob a forma de um hino, cantado na comunidade joanina antes de estar no início do Evangelho de João».
Mas os grandes(pequenos) hinos das várias igrejas fundadas pelo Apóstolo Paulo, em particular, e da Igreja Primitiva de um modo geral, estão nas Cartas paulinas. É curioso até verificarmos que no Novo Testamento grego, que procura até aos nossos dias trazer-nos os manuscritos originais, cada uma das passagens que são esses hinos cristológicos exibe os mesmos em forma de poesia. Assim tais hinos aparecem, na tradição cristã, desde as epístolas à tradição oral da Igreja do primeiro Século: Filipenses 2, 6-11 Colossenses 1, 15-20 I Timóteo 3, 16 até o próprio trecho da Carta aos Romanos 11, 33- 36.

Estes são considerados os principais. Existem, porém, mais, no interior de outras Epístolas paulinas e na I de Pedro.

A própria História Universal, ainda que ligada a aspectos particulares do modo como os primitivos Cristãos eram vistos pelo Império Romano, não deixa de vir testemunhar sobre o uso dos hinos.
Sabe-se que Plínio, o Moço (61-114 d.C), nas Epístolas X, 96, dirigidas a Trajano, elabora um pedido de « instrução a respeito dos cristãos, que se reuniam de manhã para cantar louvores a Cristo». O historiador romano referia que tais louvores em forma de hino eram dirigidos a «Christo quase deo».
Todos os hinos cristãos primitivos, seguindo primeiro o Novo Testamento e só depois alguma tradição histórica, apontavam sempre para a Cristologia. Era e é o senhorio universal de Cristo Jesus, a sua essência e origem divinas que neles são cantados. Os hinos eram por assim dizer pedagogia, tinham plasmada parte da doutrina dos apóstolos.

-Filipenses 2, 6-11
«Cristo Jesus,
que, sendo em forma de Deus,
não teve por usurpação ser igual a Deus.
Mas aniquiliou-se a si mesmo (...)
sendo obediente até à morte,
e morte de cruz.»

Considerado paradigma do hino cristológico, segundo argumentos de tradição oral antigos que saem do Novo Testamento, contém duas estrofes que ensinam ao crente a doutrina do esvasiamento de Cristo e a Sua exaltação. Ao ser entoado, o cristão primitivo comunicava a si próprio e à comunidade o percurso do Filho de Deus desde a eternidade (ser em forma de Deus) até à Cruz (obediente como servo sofredor), depois culminando com a glorificação. Na verdade, é já um clássico que consagra na bibliografia das doutrinas teológicas do NT a quenótica - do grego kenós e kenósis.

-Colossenses 1, 15-20
«O Filho do seu amor
O qual é a imagem do Deus invisível,
o primogénito de toda a criação»

Este hino celebra essencialmente o senhorio univesal de Cristo. Com este argumento, o cristão pimitivo era convidado ao louvor e, em seguida, a considerar o senhorio do Filho de Deus, Senhor da Criação e Mediador da reconciliação.

-I Timóteo 3,16
«Aquele que se manifestou em carne,
foi justificado em espírito,
visto dos anjos,
pregado aos gentios,
crido no mundo,
e recebido acima na glória»

Declaração cristã do Século I, também considerada pelos estudiosos como um cântico do Mistério Cristológico. O seu preâmbulo «Grande é o mistério da piedade» foi uma maneira de se opor à expressão contemporânea « grande é a Diana dos efésios».

Num nivel histórico, é legítimo que nos perguntemos que hinos cantavam Paulo e Silas, na prisão. Seria um desses, referenciado acima? Ou outros como os que
o próprio apóstolo Paulo transcreve na carta aos Efésios, 5,14, ou o apóstolo Pedro escreve na sua Iª, 2, 22-24. Expondo ambos o que o profeta/poeta Isaías escreveu séculos antes.
Contudo, os comentaristas põem mais empenho no facto dos apóstolos estarem a «gloriar-se no meio da tribulação », mais do que uma preocupação sobre que cânticos seriam esses. Tratava-se de uma lição de vida e do ideal cristão, a alegria por ser achado digno de sofrer por Cristo.
J.N.Darby afirma, no seu comentário ao Livro dos Actos, que «Paulo e Silas cantam, em vez de dormirem, na prisão.»
Se cantavam, entovam hinos, tais cânticos tinham uma mensagem, sem dúvida a poesia vertida em teologia.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Caiu? Levanta pô.


A igreja brasileira tem um grave defeito, ela enterra seus heróis vivos, já dizia um pastor conhecido. Por vezes os caras fizeram grandes coisas pelo Reino, edificaram vidas, consolidaram ministérios, fundaram missões e de repente quando uma fraqueza os assola e eles tropeçam, pronto, a igreja soterra. Existe um ditado que diz: “Deus perdoa, mas a igreja não”.


Já vimos diversos casos de crentes que foram expostos pela própria igreja ao escárnio porque caíram da graça em determinado momento. Deus sabe que somos imaturos, e por isso Ele não nos sepulta, mas estende a mão para que através do Seu imenso amor possamos ser restaurados em nossa família e em nosso ministério.


Sejamos pacientes, que na nossa vida cristã a misericórdia triunfe sobre o juízo. Que ao invés de pisarmos a cabeça do caído, possamos fazer como Deus faz e estender a mão para que ele se levante e saiba que alguém se importa com a restauração dele. Sejamos agentes do reino e não de satanás.

E no mais, tudo na mais santa paz!

Pr. Márcio de Souza

Visite o blog do Pastor: http://marciodesouza.blogspot.com

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Viver é obediência

Mt. 25.15 - E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um,
a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.



Não é difícil, após uma reflexão honesta e corajosa, chegarmos à conclusão dos deprimidos: melhor é estar morto. Foi mais ou menos isso que Paulo, em Filipenses 1.21, pois morrer para ele era lucro, pois estaria nos braços do Pai, vivendo a eternidade plena e abundante. Mas não era esse o plano de Deus para ele, o plano era outro, havia valor ainda em sua permanência. E Paulo aceitou o desafio, obedeceu, pois viver é obediência. Veja que visão da vida:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé, para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós.” Filipenses 1.21-24.

Alguns outros personagens bíblicos pediram para que Deus lhes tirasse a vida, mas Deus não atendeu, com Moisés, Jó, etc. Quando Cristo, ressurreto, voltou ao Pai, diante da platéia de varões galileus, episódio descrito em Atos 1, estes tinham um pergunta a Cristo: não era aquela a hora de restaurar o Reino? Não era o tempo da eternidade? Do reino absoluto de Deus, da destruição do mal e do sofrimento? Porque, mestre, vais e nós ficamos?

Não, não era este o tempo, o plano era outro, o plano é que obedeçam e fiquem fazendo de suas vidas um canal da Glória de Deus. Deus não tem só um plano de vida para a eternidade, mas ele tem um plano para cada indivíduo sobre a terra, e de modo especial àqueles que Ele escolheu.
Jesus Cristo propõe uma parábola sobre os que terão direito à eternidade, e esta metáfora diz respeito ao modo como encaramos a vida, e o que esta parábola nos conta é que viver é um empreendimento.

Conhecida como a parábola dos talentos, esta história assemelha-se ao que o empreendedor faz ao banco quando pretende abrir um negócio próprio: ele recebe do banco um valor emprestado e o empreendedor aplicará este dinheiro de modo que prospere. É disso que fala a parábola, é a isso que Jesus compara a vida: ele nos capacita de vida, tempo, recursos, habilidades para sermos instrumentos da sua Glória. É este saldo de glória que depositamos aos pés de Jesus na entrada da eternidade como atestado de nossa eleição e ingresso na Pátria Celeste.

Mesmo que seja melhor estar com Deus, no céu, a vida é uma fábrica de glória, cada palpitar do nosso coração atesta que Deus espera de nós obediência para viver e empreender para a sua Glória.
Conheça também:
blogs: eudiscordodoaefe.blogspot.com ou obs-tetras.blogspot.com

O Dante da Poesia Bíblica

Ensaio de João Tomaz Parreira

Há uma observância das normas da poética no livro bíblico do profeta Isaías.
Com efeito, existem provas incontáveis de como a melhor poesia pode prescindir do metro. No estudo de uma poética ocidental, não foi por mera referência editorial que se escreveu sobre a grande poesia que pode dispensar a metrificação, e que tal se estende até ao livro bíblico de Isaías.
Uma referência do nosso tempo, o crítico literário Harold Bloom já havia escrito, que, face à realidade social em que se vive, o homem actual é exortado a encontrar “em Platão ou em Isaías a origem da nossa moralidade.” (O Canone Ocidental, pág.39)

O estilo deste profeta integra uma unidade que a crítica não pôde desintegrar, embora desde o século XVIII o tentasse fazer. Como é do domínio dos estudiosos, essa crítica colocava em questão a identidade do autor, sugerindo a hipótese de várias identidades autorais do Livro bíblico profético.
O prof. Adriano Moreira afirmou, a este propósito, que, contrariamente às hesitações da tal crítica, o Livro de Isaías mantém a continuidade da voz e da mensagem, da voz de Isaías e da sua Profecia, nas Escrituras Sagradas.(Isaías, Três Sinais Editores, Apresentação de AM)
É, com certeza, no âmbito do Fundamentalismo evangélico, um estilo literário, assim considerado há muito, com estudos fundamentalistas desde o princípio do século passado. «O estilo de Isaías difere amplamente de qualquer outro profeta do Antigo Testamento»- escreve o prof.George Robinson na colectânea Fundamentos (Edição de R.A.Torrey, Hagnos, pág.93)

O filho de Amós estabelece desde o início o paradigma do seu Livro ao declarar que o mesmo será resultado de uma Visão. E di-lo de uma forma linear, comparativamente ao princípio de Ezequiel, que o faz de um modo prosaico e muito histórico-literário, também. O termo hebraico châzôn (sonho, revelação, oráculo), compara-se ao grego orasis, o que equivale à coisa que se torna visível. E a poesia torna as ideias visíveis nas palavras. Gostaria também de usar aqui o termo «poesis», que significa «fazer», referindo-o como uma forma de arte, de criatividade visual.
Com efeito, a poesia existente no Livro de Isaías permite-nos que «vejamos» o que o profeta escreve e vaticina, as suas imagens, as suas metáforas.

Por exemplo, do entrecho poético: “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que apregoa a vitória, que diz a Sião: “Já reina o teu Deus”( Is 52,7). Os “pés do mensageiro” com feridas, sujos da poeira da estrada, são “belos” na poética do profeta. A razão é a qualidade da mensagem, a sua totalidade mensageiro / mensagem, a boa nova que é ela própria um som de paz. Forma e conteúdo da mensagem são a mesma coisa: uma voz pacífica perante a visão dos atalaias que já distinguem o retorno do Senhor a Sião.

Outro entrecho do Livro, o cap.53 é paradigmático. Sendo profecia, traduz porém o acontecimento numa linguagem estruturada em símiles e metáforas. A antevisão da paixão e crucificação do Messias é notavelmente de poética.
Poderíamos dizer que na poética do profeta bíblico existe o paradigma de uma antecipação do estilo modernista, 2.600 anos antes, obedecendo no entanto ao rigor das normas hebraicas, mas com apontamentos da área dos tropos da linguagem. Como alguém considerou, é fácil descobrir que o Livro de Isaías contém mais vocabulário do que qualquer outro livro da Bíblia e artifícios de linguagem.

Antes de movermo-nos para outro ponto sobre a poeticidade do escrito Isaías e sobre este como poeta, deixem-me exemplificar: ele usou um esquema que hoje conhecemos como quiasmo. Esta figura literária de repetição pode ser pensada como a do paralelismo hebraico.
Assim esquematizado: ABCDDCBA ou ABBA Vejam-se dois exemplos: A-Efraim B-não invejará a Judá B- e Judá A-não oprimirá a Efraim. ( 11,13) e 55:8: A-Porque os meus pensamentos B-não são os vossos pensamentos, B-nem os vossos caminhos A-os meus caminhos, diz o Senhor.
A observância da poética em Isaías é um problema da cultura, problema do qual faz parte a solução para o entendimento da linguagem da poesia de uma boa parte do livro do profeta bíblico.Tanto na forma como conteúdo.

Citando, comparativamente, o teólogo Richard Niebuhr, «Paulo foi um conservador cultural» e não rejeitamos de modo algum que tenha incluído no seu discurso em Atenas a referência a dois poetas pagãos da cultura greco-romana: Aratus e Cleantes.
A Cultura é um meio que deve dar expressão à Fé, e não um fim em si mesma. O profeta Isaías, no seu tempo antes de Cristo, não citou poetas, ele próprio foi poeta, exprimiu a sua Visão e a sua Fé no Servo Sofredor através da sua cultura poética. Isaías é um autor bíblico que explica tudo.

O próprio uso do termo «Senhor dos Exércitos», que é uma forma universal no escrito inspirado de Isaías trata do senhorio de Deus sobre anjos e estrelas, isto é, o Criador do Universo inteiro, porquanto na linguagem bíblica os «exércitos» divinos são os anjos e as estrelas.
Outro termo utilizado é o peculiar «o Santo de Israel» que é uma particularidade que identifica o Senhor da Nação, e marca esta como constituída por um Povo peculiar e separado para corresponder ética, moral e espiritualmente à santidade.
Nesse tempo já havia termos que definiam e caracterizavam, nas literaturas clássica de antes do Velho Testamento, soberanias e autoridades, designadamente «o pastor de povos», que se referia aos reis e é designado na Ilíada e na Odisseia de Homero – os poimèn laôn.
Tratava-se aqui de uma metáfora, uma símile literária que o profeta Isaías cristalizou no seu Livro, no contexto de Israel, ao falar do que vira na sua visão mística, «o Rei, o Senhor dos exércitos», o Criador do universo inteiro. Isaías tem sido definido, pelos estudiosos do seu Livro bíblico, desde 1775 como o «Dante da poesia hebraica».

Porquê Dante? Por este ser um admirador da arte dos Salmos? E da Roma cristã? Pelo estilo da escrita, das imagens, pela potência inventiva das frases, ou pela sua estrutura visionária da sua obra-prima? A Divina Comédia? Sobre Dante escreveu-se que ele vê e sente por imagens. Cada episódio é um reflexo variado de tudo aquilo que agita a alma de Dante.
Ele sente-se como vidente e profeta investido de uma missão divina.
Dante sofre perante tais imagens dessa visão dantesca, a que já se chamou a «danteide» desde o Paraíso ao Inferno. «Dante sofre por aqueles factos e aquelas impressões, e quer transmitir esse sofrimento; doutro modo não poderia dar a entender aquilo que deve ou quer, ou seja o aspecto e os perigos do Inferno»

Isaías sofreu perante a visão do Servo Sofredor, de Cristo na figura da ovelha muda perante os tosquiadores, sem beleza alguma para que fosse desejado. Isaías cujo nome tem parecenças no sentido do de Jesus, «o Senhor salva», é talvez por essa razão considerado o «Dante da poesia bíblica».
Sendo considerado o primeiro dos evangelistas, viu o Amor de Deus a entrar solene com corpo no mundo antigo, a estabelecer a era da Graça. Estabeleceu na sua profecia uma moralidade transmitida por palavras poéticas e uma ética na sua narrativa que apontava os erros e o futuro de Israel e retratou quase um milénio antes o percurso evangélico de Jesus Cristo, do Advento à Cruz, com uma poética da Graça divina.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Línguas estranhas

http://4.bp.blogspot.com/_LqjTcwHZ1O0/SwFngtxGtjI/AAAAAAAABTU/KcF2YZa6rQI/s1600/assunto.jpg

Rir e Pensar

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Governo pretende liberar cópia de músicas e de livros

Imagem de minha autoria, de uso livre.
Mais imagens de uso livre no blog Imagens Cristãs

BRASÍLIA – Guardada a sete chaves, a nova lei de Direitos Autorais, redigida pelo Ministério da Cultura, vai autorizar, pelo menos, duas práticas usuais dos jovens brasileiros. Pretende permitir, por exemplo, que os interessados em realizar fotocópias de um livro o façam da publicação completa e não apenas de pequenos trechos, como é hoje. Também vai criar uma forma legal de autorizar a cópia de músicas para aparelhos de MP3, o que hoje é ilegal e considerado pirataria.

Em entrevista ao iG, o diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves, antecipou que o texto vai buscar o equilíbrio entre a proteção aos titulares das obras e o direito do cidadão de ter acesso à cultura. “Temos uma lei muito restritiva hoje e precisamos mudar isso”, afirma. “Um universitário que quer copiar um livro acaba incorrendo em crime se xeroca a publicação inteira”, avalia. Pela proposta, será permitida a cópia de livros e a livre utilização, desde que essa cópia seja para fins educacionais, não para a utilização econômica.

“O mesmo vale para alguém que comprar um CD de algum artista e o copia para MP3. Mesmo se a pessoas pagou pelo produto, se copiar a música na íntegra é pirata”, completa. Em ambos os casos, a solução apontada pelo Ministério da Cultura é semelhante. A ideia é fazer um fundo de reserva de recursos alimentado com taxação dos produtos. Ou seja, um percentual pago à copiadora iria para um fundo destinado a reembolsar os autores e as editoras.

O mesmo argumento serve para quem abastece os aparelhos de MP3. “Esses aparelhos servem principalmente para quem baixa músicas. Então podemos pensar em cobrar uma taxa em cada venda que serviria para os direitos autorais dos artistas e gravadoras”, afirma. De acordo com ele, as duas medidas necessitam de regulamentação específica, mas não devem onerar a venda dos produtos de forma significativa.

Para a Maria Cristina Barbato, da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), a proposta é positiva. “É fato que o músico não pode mais perder como ocorre hoje cada vez mais”, afirma. A OMB representa, apenas no estado de São Paulo, 50 mil músicos. “Hoje não há controle algum e cada um faz o que quer.”

A nova lei de Direitos Autorais está sendo elaborada desde 2007 e, nas próximas semanas, deve entrar em consulta pública antes de ser encaminhado ao Congresso. Havia a expectativa de que o texto fosse apresentado durante o 3º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que ocorreu esta semana em São Paulo. Mas o governo manteve o suspense. “Estamos com os pontos centrais já bem costurados e devemos divulgá-lo em breve”, garante Alves.

No encontro, apenas um item ficou claro a todos. O Estado quer voltar a interferir no processo e vai criar o Instituto Brasileiro de Direito Autoral, espécie de agência reguladora que teria o poder de fiscalizar, por exemplo, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que distribuiu, em 2008, R$ 270 milhões em direitos autorais.

Via http://ultimosegundo.ig.com.br

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma pequenina luz



Poema de J.T.Parreira


Uma pequenina luz bruxuleante
Jorge de Sena

Uma pequenina luz ao longe
levíssima toca
a íris dos meus olhos, está lá
franca, límpida e sensível
à clara neblina
não é ainda a prata da aurora
Uma pequenina leve
luz ao longe
faz um buraco na treva
Avoluma-se e vem
como o dia desejado, o chão
que nos enche sob os pés
este vazio
Não é abismo, essa luz
pequenina luz ao longe
é um pequeno resíduo
de humanidade
uma estrela, a alva
espuma de uma praia
Não é ainda o mar, nem o azul
é uma pequenina leve luz
de longe, a despertar-nos.

10/11/2009

Emquete do Senado Federal perguntando aos brasileiros se são favoráveis à aprovação da Lei da Mordaça Gay volta ao site

A pequisa tinha ido ao ar em 1ª de novembro e no dia 6, quando a porcentagem NÃO era mais do que o dobro do SIM, foi estranhamente interrompida. A pergunta era: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/06) que torna crime o preconceito contra homossexuais?”
.
A pesquisa recomeçou do zero, e está reformulada: “Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Para manifestar a opinião, basta entrar no site SEPOP – Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública (aqui). Role a página até o meio, encontrará a pesquisa ao lado diteito. Vote NÃO! Quem havia votado antes poderá votar novamente, pois trata-se de nova pesquisa, a computação de votos de antes não estão valendo agora.
.
Repetindo minha afirmação: O voto NÃO não é contra os homossexuais é em favor da Democracia.
.
Divulguemos. Convide a opinar todos os cristãos protestantes e católicos, os judeus e todas os cidadãos que acham absurdo o PL 122/2006. Usem os blogs, os sites, os fóruns de suas comunidades virtuais, seus contatos do profile no Orkut, no Ning, os contatos de e-mail, o Twitter, o Facebook, seu telefone, o mural da sua igreja ou sinagoga. Vote e conscientize sobre a necessidade de votarem também.
.
Este texto está liberado para cópias.

.
E.A.G.

Traduzindo a Palavra, transformando o Planeta - 2a Confrencia de Traducao da Biblia

Traduzindo a Palavra, Transformando o Planeta - 2° Conferência de Tradução da Bíblia

Para mais informacoes, clique na imagem.

2a Conferência de tradução da Bíblia
Traduzindo a Palavra, Transformando o Planeta
Dia 21/11
Das 10:00 às 18:00 horas
Auditório da Sociedade Bíblica do Brasil - São Paulo

Para maiores informações, visite: http://alumi.org.br/tb/

Saaaiiiii...

Quem sou eu?

Créditos da imagem: mfda.wordpress.com

Dizem que sou ovelha, mas não tenho aprisco. Aprecio passear entre os vários que existem. Em cada lugar me sinto á vontade. Especialmente onde não me conhecem, assim meus procedimentos passam incólumes. Ser comunitário, discipular e ser discipulado são coisas que não atraem minha atenção. Só trato com outras pessoas sobre assuntos não eclesiásticos, é que me entedia falar sobre igreja, Bíblia, santidade e oração.

Tenho predileção por igrejas grandes. Aquelas nas quais o pastor não tem condições de enxergar todos os membros. Creiam, grandes catedrais possuem zonas cinzentas, que se encaixam perfeitamente nas minhas aptidões. Mas pode ser uma igreja de um pastor ausente, daqueles que só aparecem aos domingos e não apertam a mão de ninguém, nem sabem o nome de seus membros. Meu microambiente perfeito é aquele no qual o pastor está sempre preocupado com alguma projeção social, viagens, reconhecimento nacional, aí se desgruda completamente de mim.

Adoro igrejas não quais não é cobrado compromisso com orgãos, projetos e programas. Nem lembro quando participei de algum deles. Eventualmente dou ofertas, mas não dizimo com regularidade, até porque estou sempre em trânsito. É bom que ninguém conte com minha contribuição, ajuda minha fluidez. Aliás, tanto faz ser uma igreja, uma rádio, um programa televisivo, não faço muita distinção entre eles. Agora que a TV abriu um espaço enorme para nós, não vejo o dia em que irei de auditório em auditório, sempre ouvindo pregações politicamente corretas e sem cobranças. Não me julguem mal, é que há tantas tendências diferentes no meio evangélico, que prefiro seguir minha própria cabeça. O que os pastores dizem na TV, rivaliza quase sempre com o que dizem nas igrejas, aí, fazer o quê? Estou pensando, seriamente, em ficar em casa, zapeando e comendo uma pipoca. Não é o máximo!?

A liturgia não me preocupa. Sou eclético. Aliás, gosto bastante de shows, onde extravaso minhas reminiscências do mundo. Vou a todas as Marchas pra Jesus. Pouca Bíblia e muita música. É a mistura perfeita. Não estou preocupado com minha apatia, até porque tenho ouvido que o que importa são os números. Por isso devemos ser milhões. Tenho amigos em todos os bairros da cidade, e sempre compartilhamos os mesmos objetivos. Adoramos igrejas aonde a música toma a maior parte do tempo. Podemos mascar nosso chiclete em paz. Enquanto o tempo passa, atualizamos nossas conversas e falamos da vida alheia. Culto não é para isso?

Por falar em mundo, não voltei pra lá ainda porque estou tão acostumado... Não faz sentido, né?

Para mim a igreja é apenas um fã clube social, um lugar para buscar relacionamentos amorosos, marcar encontros, qualquer coisa serve. Tenho medo de chorar. Minhas amigas fazem por onde não borrar a maquiagem. Procuro sentar longe de algumas pessoas que se põem a gritar para Deus, como se ele não ouvisse. Engraçado: nunca reparei que não penso o mesmo sobre os jogos de futebol, embora saiba que meus times são efêmeros. Que coisa!? Para não perder a deixa, barulho só elétrico, acústico, vindo dos instrumentos. Se tiver balanço, efusão, melhor ainda. Adoro quando o pastor manda a gente sair do chão! É pura euforia.

Acho que os cultos andam meio monótonos, tanto que confesso ter procurado umas comunidades alternativas. Daquelas que só querem saber seu apelido. É um culto mais descolado, aparece nas revistas, etc. Fui a uma que promove luta livre! Ao redor do tatame despertávamos nossos instintos mais primitivos, enquanto urrávamos para os competidores. Pode ter coisa mais evangélica do que se despir do eu?

Tenho um blog aonde descrevo minhas experiências e experimentos. Adoro falar sobre o que vejo de errado na igreja, embora não me envolva em mudança alguma. Jogar pedras nas vidraças é um excelente exercício para mim. Estou me dedicando a compilar uma série de costumes que a igreja tinha como doutrina, para espicaçar cada um daqueles pastores atrasados que viviam recomendando comedimento. Ainda bem que eles estão em extinção. Vou atirar pedras até vê-los soterrados.

Quem sou eu? Defina você. Uma árvore sem raiz? Uma ovelha sem rumo? Calma, somos muitos.

De um modo assombroso tu me formaste...

A sequência abaixo é impressionante. São seis exemplares de fotos de uma gestação, ampliadas a partir de um microscópio eletrônico, publicadas no livro A Child is Born ("Nasce uma criança", em tradução livre), do sueco Lennart Nilsson. Não sei o que pensam vocês, mas já que uma imagem vale mais do que mil palavras...

Um óvulo pronto para ser fecundado.

Após a fertilização, começa uma intensa multiplicação das células. Nesta imagem, o embrião tem apenas 4 dias e possui entre 16 e 32 células, no estágio conhecido como mórula.

Cerca de 20 dias depois, o coração já está formado e batendo por conta própria. Quem aborta, mata ou não mata?

Às dez semanas de gestação, o embrião passa a ser considerado um feto e mede cerca de 30 mm. Sua coluna vertebral já está formada e é visível.

O reflexo de sugar acompanha o bebê desde dentro da barriga da mãe.

Por volta das 20 semanas, uma fina camada de pelos, conhecida como lanugo, recobre o feto para protegê-lo durante seu desenvolvimento no útero. Muitos bebês ainda estão cobertos quando nascem.

Não resisto exclamar: Quão admiráveis, ó Deus, são as obras das tuas mãos!

Fonte: UOL

domingo, 8 de novembro de 2009

A Esposa de Martinho Lutero





"Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher", diz o ditado. Sou admiradora de Martinho Lutero, líder da reforma protestante, mas pouco se fala de sua esposa. Tive, portanto a curiosidade de pesquisar sobre ela, a mulher que fez Lutero desistir da batina e formar uma família. É bem verdade, Lutero já não concordava com muitos preceitos do catolicismo, inclusive o celibato.

Lutero escreveu em um de seus artigos: "Quando Deus fez o homem e a mulher, Ele abençoou e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos" Essa passagem nos da a certeza de que o homem e a mulher têm o dever e a obrigação de se unir para se multiplicar".


Katharina Von Bora
Nasceu em 29 de Janeiro de 1499, na Alemanha. Com apenas 5 anos de idade foi estudar em regime de internato, em convento católico, onde permaneceu até 1523. Katharina fugiu do convento com mais 11 freiras. Ela e as demais ouviram falar do Ensino Bíblico de Lutero, consideraram seus princípios e quiseram deixar o convento. Um comerciante ajudou na fuga.

Casou com Lutero dois anos após a sua fuga, em 1525. Consta-se que ela era uma ótima gerente familiar. Apesar dos fundos limitados e um grande número de hóspedes, plantou legumes e comprou uma fazenda com criação de bovinos, frangos e cerveja fabricada.

O casal teve seis filhos e ainda adotou mais quatro. A família,era considerada modelo na Alemanha. Lutero chamava sua esposa de "estrela da manhã de Wittinberg". Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.

Fonte: A Tenda na Rocha

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Fissão dos Idiomas



Por João Tomaz Parreira


A separação dos idiomas, segundo a Bíblia Sagrada, começou com uma construção civil simbólica, e tornou-se um significado a que um significante deu todo o sentido: Babel. Este substantivo, que por si só ultrapassa a simples qualidade do morfema, daria origem à batalha dos idiomas, até hoje.
Só para dar um exemplo actual, é o que se prefigura como quase colapso do inglês em confronto com a língua hispânica, nos Estados Unidos.
Com efeito, toma-se em linha de conta a importância dessa língua e que «o Latino é uma nação dentro de outra», segundo o Instituto Cervantes. Assim, fala-se mesmo da «irresistível invasão dos hispânicos», cuja língua já ocupa 12% dos lares norte-americanos. Ora este facto presente tem também implicações na forma, no contéudo e nos meios usados para a proclamação do Evangelho e dos valores éticos e morais veiculados pela Palavra de Deus naquele país.
No mundo globalizado, cada vez mais é necessário que a Palavra divina seja compreendida, sem confusão, na própria linguagem de cada um.


O SIGNIFICADO DE BABEL

Seguindo as várias pinturas a óleo sobre um painel de Pieter Brueghel, o Velho, a Torre de Babel parece estruturar-se idealmente como um lugar gregário, tipo dos modernos blocos sociais urbanos.
"Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo cume chegue até os céus. Assim nos faremos famosos. Do contrário, seremos dispersados por toda a face da terra". (Gn 11,4)
A uniformidade se estabeleceria e tomaria força contra Deus, era a Terra a disputar os Céus, a habitação do homem a demandar a divina. Esta narrativa bíblica é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes, quando Deus multiplicou os idiomas e confundiu os falantes.Mas enquanto a soberba não subiu do coração aos olhos dos homens pós-diluvianos ,«Toda a terra usava uma só língua e as mesmas palavras. » (Ibidem, 11,1.)
O uso de uma só língua, implicava apenas um código. Era uma linguagem única e comum, sendo que Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de ideias. A dispersão de que fala o livro do Génesis, foi o arrumar lógico dos grupos de falantes pela Terra, porque a soberania e a sabedoria divinas nada deixaram ao sabor do acaso. Deus «confundiu a linguagem de toda a terra e dali os dispersou por toda a superfície dela.»(Ibidem,11,9)
O conhecido sociólogo Georges Steiner escreveu acerca do confronto entre o que chama a língua do Paraíso, como «um cristal transparente»- que era a língua de Deus- e Babel. «Babel foi uma segunda Queda, tão devastadora, sob certos aspectos, como a primeira»- escreve em «Depois de Babel». (págs 87 e 88, Relógio d’Água.)Alguns milénios a seguir – de acordo com a cronologia bíblica - , a comunicação do pensamento cristão e primeira pregação do Evangelho global a um auditório diversificado, fizeram-se, sem dúvida, com o Espírito Santo usando, não a confusão, mas a transculturalidade.


EM LÍNGUAS ESTRANGEIRAS

«Ouvimos nas nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus», «porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua» ( Actos, 2, 11 e 6, respectivamente)Havia uma barreira cultural à comunicação do Evangelho, no dia de Pentecostes em Jerusalém. A Língua.Contudo, a linguagem cristã e evangélica, as grandezas de Deus, foram entendidas pelos ouvintes que ficaram aptos a perguntar, compungidos, que faremos varões irmãos?, para isto a barreira da língua teve que ser ultrapassada. Da centralidade de Jerusalém partiu para as margens a Palavra da Cruz, através das várias línguas contemporâneas dos Apóstolos.
A comunicação fez-se com a gramática de Deus, na medida em que a operação linguística era da área do sobrenatural - o derramamento do Espírito Santo e o falar em línguas pentecostal -, não foram necessários tradutores para as línguas maternas dos ouvintes: partos, medos, elamitas, árabes, romanos, cretenses, gregos etc., pertencentes ao que hoje se chama de grupos das línguas afro-asiáticas e indo-europeias ocidentais.
A exactidão da mensagem foi clara e a sua contextualização integrou a história mosaica do VT e o Evangelho de Jesus Cristo, «as grandezas de Deus» que atravessaram a história bíblica de Israel, com certeza desde Abraão até ao Pentecostes. Neste dia, a glossolalia teve um sentido especial, as chamadas «línguas estranhas» foram inteligíveis, prepararam o caminho e os corações para a proto-pregação evangelística do apóstolo Pedro. A comunicação no dia de Pentecostes em várias línguas, perante o primeiro paradigma de uma globalização, não colocou em causa a identidade de cada uma das nações ali representadas, nem a identidade da Mensagem.Babel, como alguém escreveu, «resultou em profunda alienação no nível mais pessoal da comunicação, a linguagem». O Pentecostes, que mudou o paradigma da pregação, mudou também a linguagem. A norma indicava que seria doravante através da inspiração do Espírito Santo de Deus que se proclamaria a Verdade do Evangelho. Na diversidade das línguas comunicou, numa mesma linguagem celestial, a Redenção do Homem. E a Unidade dos crentes em Jesus Cristo como Igreja.

A enquete de novembro do Senado Federal sobre a Lei da Mordaça Gay

O Senado Federal criou uma enquete para verificar a opinião pública sobre o PLC 122/2006 (Lei da Mordaça Gay). Esta enquete ficará no ar durante todo o mês de novembro. Peça para seus conhecidos, contatos, votarem contra (votar NÃO!).

O voto NÃO não é contra os homossexuais é em favor da Democracia.

Entre na página da Agência Senado (aqui) e baixe a barra de rolagem até o meio. Do lado direito da tela, você encontrará a enquete: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/06) que torna crime o preconceito contra homossexuais?”

Vamos lá, e divulguemos também. Usem os blogs, os sites, os fóruns de suas comunidades virtuais, seus contatos do profile no Orkut, no Ning, os contatos de e-mail, o Twitter, o Facebook, seu telefone, o mural da sua igreja. Vote e concientize outros a votarem também.

Este texto está liberado para cópias.

E.A.G.

Plantando doçura




"A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira." (Provérbios 15.1)

Relacionamento... Acredite! Esta palavra é motivo de arrepio e trauma para muita gente. Convivências difíceis, desencontros de opiniões, incompatibilidade de gênios, conflitos de gerações, intransigências, desrespeito, etc. Quem se propõe a viver com outra pessoa, seja o cônjuge, pais, amigos ou colegas de trabalho, certamente, encontrará em algum ponto do convívio grandes desafios e “sapos a engolir”. É inevitável que venham muitas decisões a se tomar, onde, pelo menos duas pessoas, terão ponto de vista diferente.

Existem aqueles que têm absoluta certeza de que jamais suportariam a convivência com sigo mesmo, estes estão a dois passos de compreender o caminho da convivência saudável. Por outro lado, existem, ainda, aqueles que defendem cegamente suas razões, sem sequer avaliar o que outros possam propor como solução. Talvez por insegurança ou complexos e travas emocionais, tais pessoas jamais conseguem se libertar do rancor como resposta ou da exigência exagerada da cobrança de perfeição, tornando-se pessoas insuportavelmente amargas e infelizes.

Mas graças a Deus, este não é um caminho sem volta! E qual é o caminho de volta então? Existe algum segredo? Sem fazer mistério algum, a boa notícia é que, não somente a sabedoria dos textos bíblicos, mas também a testificação do Espírito do Senhor Jesus em nossas mentes, removem o véu que encobre a compreensão de como alcançar plena comunhão e pacificação no convívio com outras pessoas. Pode até ser que não sejamos totalmente perfeitos hoje, mas a fé e a capacitação para mudar de atitude vêm quando nos encontramos com a Palavra de Deus, dia após dia, e ela começa a fazer efeito verdadeiro nas nossas decisões.

Quando nos tornamos não somente ouvintes da Palavra, mas praticantes, somos irremediavelmente inspirados a tomar de volta o caminho do perdão, da reconciliação e da superação dos conflitos.

Certamente, ninguém que deseja colher uvas, plantará um espinheiro. Logo, quem deseja receber carinho, precisa plantar doçura, suavidade e principalmente amor. Quem planta maldade, colherá maldade; quem planta mentira, colherá mentira; quem manda embora amigos e pessoas queridas, colherá solidão; conseqüentemente quem semeia fidelidade e verdade jamais será surpreendido pelo fruto da injustiça.

Algumas vezes não prestamos atenção em nossas respostas ásperas, estamos tão centralizados e acorrentados às nossas questões pessoais e egocêntricas que não conseguimos perceber o quanto batemos cruelmente uns nos outros com palavras e atitudes. Uma vez eu ouvi dizer que quem bate esquece, mas quem apanha não. Esta é uma grande verdade! Mas o ensinamento de Jesus não é romântico, longe da realidade humana, ele é principio verdadeiro e justo para a vida ainda hoje, é confirmado pelo poder da ressurreição e Ele diz: "Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles." (Lucas 6.31)

O amor e o caminho do perdão quebram cadeias poderosas, removem barreiras e libertam de todo o medo! Se erramos não é preciso temer ou envergonhar-se de pedir perdão. O perdão precisa se tornar natural na nossa caminhada, do contrário a falta dele será um grande entrave na jornada. Na verdade o próprio Deus semeou amor e perdão em nós, Ele nos perdoou e amou quando ainda não merecíamos, certamente Ele deseja ver frutificando o mesmo tipo de atitude em nós. Mesmo sem encontrar motivação lógica ou emocional, quando semeamos perdão, colhemos do mesmo fruto.

Em um mundo repleto de pessoas sem graça e sem doçura, recheadas de amargura, dor e tristeza, somos convidados e chamados para semear a Palavra do amor, da generosidade, do carinho, da reconciliação, do perdão e doçura.

Quando entendemos que somos diferentes uns dos outros sim, que ninguém é obrigado a pensar do mesmo modo que a gente, que temos dons e talentos diferenciados; quando preferimos valorizar a opinião do outro, do diferente, daquele que, aparentemente, não tenha muita coisa a nos acrescentar ou ensinar, mas mesmo assim semeamos reconhecimento e valorização, com certeza colheremos honra, unidade e crescimento maduro.

Quem semeia no temor a Deus, colhe sabedoria. Quem vai semeando, mesmo na dificuldade, mesmo chorando, mas acreditando na Promessa, voltará colhendo seus frutos com alegria e satisfação.

"Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também colherá." (Gálatas 6.7)



O Deus que nos plantou para Ele em amor lhe abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!



Publicado no Ovelha Magra: http://ovelhamagra.blogspot.com